POPULAÇÃO
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Item: Conflitos Étnico-nacionalistas
e Separatistas
Parte: 2 de 7
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Principais conflitos étnicos na Europa...
Se
observarmos bem, a Europa é a península de uma grande massa continental, a Eurásia, como podemos ver na figura
abaixo:
Não há uma
divisão física propriamente dita, não há um isolamento geográfico da Europa em
relação a Ásia, mas se convencionou usar os Montes Urais como sendo o limite do
continente europeu à leste. Assim compreendemos que essa divisão entre Europa e
Ásia segue muito mais os aspectos culturais que os aspectos físicos.
Neste
pequeno trecho de terra, pois é o menor continente do mundo, há uma infinidade
de conflitos étnicos. No entanto, a história da diversidade e dos conflitos
étnicos na região é antiga; são resquícios dos impérios russos, otomano e
austro-húngaro, e da decomposição desses dois últimos entre o final do século
XIX e as duas primeiras décadas do século XX.
A história dos domínios imperiais que marcaram
a Europa sempre denotaram a busca pela supremacia através da força e da abdução
e ou imposição cultural. Um continente que sempre
teve sua história marcada por sucessivas opressões, e que no último milênio
viveu uma estrutura econômica feudal, marcada por recrudescimento intelectual e
cultural da civilização europeia; sendo estes fatos o ponto originador dos
infindáveis conflitos em solo europeu.
1
– conflito nos Balcãs (região peninsular localizada no sudeste da Europa,
onde estão situadas a Bulgária, Albânia, Grécia, Turquia (trecho europeu),
Iugoslávia, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Bósnia-Herzegovina.).
a
– Esfacelamento da Iugoslávia... Até 1991 a Iugoslávia era formada por seis
repúblicas distintas, Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina,
Macedônia, Montenegro, e duas regiões autônomas, Kosovo e Vojvodina,
pertencentes à Sérvia. A população Iugoslava era composta de diversas nações,
com os sérvios, croatas, eslovenos, macedônios, albaneses, húngaros... Com três
religiões diferentes, a muçulmana, cristã ortodoxa, e católica romana...
existiam cinco idiomas diferentes, sérvia-croata, esloveno, albanês, húngaro,
macedônio...
Toda
essa miscelânea étnico-cultural foi mantida junta pelo governo de Jospi Broz
(marechal Tito), que manteve o aglomerado com força, carisma, habilidade
política e é lógico, aparato militar. Após a morte de Tito, em 1980, e com o
esfacelamento da URSS, 1990, o movimento separatista fortaleceu-se. Em junho de
1991, a Eslovênia e a Croácia declararam independência. Após violentos
conflitos a Iugoslávia reconhece a autonomia das regiões. A Macedônia segue o
mesmo caminho; em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara sua independência, o que
deflagra um violento e terrível conflito no Bálcãs, que ficou mundialmente
conhecida com Guerra da Bósnia.
“A FRAGMENTAÇÃO DA IUGOSLÁVIA
Manuel Cambeses Júnior*
No Século XIX surgiu
um movimento que buscava a união dos povos eslavos do sul da Europa. O mesmo,
conhecido como "Ilirismo", tinha como objetivo integrar em um só
Estado às regiões integrantes de dois grandes impérios: o Austro-Húngaro e o
Turco. Porém, somente depois de finalizada a Primeira Guerra Mundial é que esta
ideia pode tornar-se realidade. Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina, que
separaram-se do império Austro-Húngaro, uniram-se à Sérvia e a Montenegro que,
até o final do Século XIX formavam parte do império Turco. Sobre estas peças
soltas deste emaranhado de culturas oriundas de dois impérios desaparecidos,
passou a conformar-se o reino da Iugoslávia.
A Segunda Guerra
Mundial foi devastadora para este país. Em 1941, a Iugoslávia foi invadida
pelas tropas nazistas e desmembrada em diversos componentes que passaram a
repartir-se entre a Alemanha e suas aliadas Itália e Hungria. Para
contraporem-se aos invasores surgiram dois grandes grupos guerrilheiros. O
primeiro perseguia o objetivo de libertar a Sérvia e, o segundo, de cunho
comunista, buscava a libertação de toda a Iugoslávia. Este grupo esteve
liderado pelo Secretário-Geral do Partido Comunista Iugoslavo, Josip Broz, mais
conhecido por Tito. Correspondeu a este personagem ser o artífice da libertação
de seu povo.
É importante destacar
que a Iugoslávia emergiu da Segunda Guerra Mundial totalmente devastada.
Diferentemente dos demais regimes comunistas do leste europeu, produto dos
avanços das tropas soviéticas, o iugoslavo impôs-se, basicamente, pela força de
suas armas. Isto proporcionou ao governo do Marechal Tito uma liberdade de manobra
que não experimentaram os demais regimes comunistas da região. Inevitavelmente
isto se traduziu, automaticamente, em um permanente enfrentamento com Moscou.
Foi no manejo de suas
diferenças étnicas que o modelo iugoslavo adquiriu os seus traços mais característicos.
Estabeleceram-se cinco repúblicas soberanas (Eslovênia, Croácia, Sérvia,
Montenegro e Bósnia-Herzegovina) que aderiram a uma Federação. Mais tarde a
Macedônia também adquiriria o caráter de República soberana. Por sua parte, a
Sérvia contava dentro de seu território com duas províncias autônomas:
Vojvodina e Kosovo. O Poder Legislativo desse Estado Federal estava conformado
por um Conselho de Nacionalidades que representava os interesses das seis
Repúblicas e das duas províncias autônomas.
Este mosaico de
diversas nacionalidades pode funcionar graças ao carisma e a forte
personalidade do Marechal Tito, que atuava como o grande árbitro na miríade de
interesses em disputa. Como um moderno rei Salomão ele mantinha o equilíbrio
entre as posições em conflito. Sua estratégia consistia em evitar que alguma
República ou setor se fortalecesse demasiadamente e adquirisse preponderância
que fizesse perigar a estabilidade do conjunto. Em síntese, Tito propiciava um
equilíbrio negativo de forças em que nenhuma das repúblicas sobressaísse em
relação às demais.
Após a morte do
obstinado Marechal, em 1980, as coisas começaram a marchar de forma atabalhoada
sob a liderança coletiva que ele havia desenhado para sucedê-lo. Mesmo aos
solavancos, entretanto, a unidade da Federação se mantinha. O colapso do
comunismo e a febre nacionalista que contaminou a região, fizeram emergir as
profundas contradições que se aninhavam na alma iugoslava. A partir desse
momento histórico começaria o processo de esfacelamento do Estado iugoslavo.
No final dos anos
oitenta existia na Iugoslávia duas posições extremas. Uma representada pela
Sérvia e a outra pela Eslovênia. Enquanto a Sérvia adentrava em uma autêntica
revolução nacionalista, a Eslovênia evidenciava um acelerado processo de
democratização.
Para conseguir manter
uma Iugoslávia forte, Tito sempre creu necessário manter a Sérvia débil.
Slobodan Milosevich chegou ao poder idealizando uma revanche dos sérvios. Para
fortalecer a Sérvia o novo líder nacionalista suprimiu a autonomia das duas
províncias autônomas que existiam no interior destas repúblicas: Vojvodina e
Kosovo. No primeiro caso isso pouco importou pois a grande maioria de sua
população é de origem Sérvia. No Kosovo, ao contrário, a imensa maioria de sua
população é de nacionalidade albanesa. A reação em Kosovo frente à supressão de
sua autonomia, desencadeou a repressão Sérvia. Isto foi a gota que fez derramar
a paciência da Eslovênia frente aos excessos da Sérvia e determinou que,
juntamente com a Croácia, se tornassem independentes da Federação Iugoslava. Aí
começou o desmembramento do Estado federal que ficaria limitado à Sérvia e
Montenegro.
As Forças Armadas
iugoslavas, sob o controle sérvio , tentaram impedir, sem êxito, a secessão da
Eslovênia e da Croácia. A partir desse momento a atitude da Sérvia e de
Milosevic iriam mudar. Se não era possível manter a Iugoslávia unida, ao menos
tentaria integrar a todas as populações sérvias, fora da Sérvia, em uma só
unidade. Impôs-se, desta forma, a tese da "Grande Sérvia". Sobre esta
base as regiões sérvias da Croácia foram anexadas. Não obstante, quando também
a Bósnia se lançou no caminho da secessão, as coisas tornaram-se muito mais
difíceis. As populações sérvias, dentro dessa República, encontravam-se disseminadas,
em todos os quadrantes do território, convivendo entre comunidades croatas e
muçulmanas. A resposta de Milosevic foi muito simples: a aplicação deliberada e
sistemática do terror, como via para conseguir a evacuação de espaços
geográficos que pudessem ser ocupados pelos sérvios. Começava ali a
"limpeza étnica". Em novembro de 1995, frente às pressões da OTAN e a
ofensiva militar da Croácia para recuperar os territórios perdidos à Sérvia,
firmava-se o Acordo de Dayton que poria fim ao conflito bósnio.
A situação do Kosovo que esgotou a paciência da Eslovênia frente aos
sérvios, em 1991, terminou também por esgotar a paciência da OTAN frente à
Sérvia, em 1999. Isto forneceu a Milosevic todos os trunfos para que ele possa
encerrar os anos noventa, reeditando os piores excessos que tornaram
tristemente sangrento este Século XX.”
b – A independência da Bósnia-Herzegóvina... A
república iugoslava era a mais heterogênea dos Balcãs: muçulmanos, sérvios e
croatas; após terem sua independência reconhecida por países Europeus, pelos
EUA e pela ONU, Croatas, muçulmanos, sérvios passaram a disputar fatias do
território bósnio. A guerra civil da Bósnia teve início em 1992 e tornou-se
acirrada quando o líder sérvio, Radovan Karadzic, contrário à separação,
proclamou a formação da República Sérvia da Bósnia-Herzegóvina, não
reconhecendo a independência do país. A guerra se estendeu até 1995,
apresentando um saldo de mais de 200 mil mortos e 2 milhões de refugiados
muçulmanos. Essa guerra foi marcada pelo extermínio (“limpeza étnica”) dos
não-sérvios que viviam na ex-república iugoslava, o qual contou com o apoio do
então presidente da nova Iugoslávia, Slobodan Milosevic. Em 1995, um acordo de
paz selou o fim da guerra na Bósnia.
c – Kosovo... A partir de 1998, os conflitos passam a
desenrolar na região de Kosovo, habitada predominantemente por albenesês (90%)
e que desde 1989, tinha perdido parte da autonomia em relação ao poder central
Iugoslavo, como o direito ao ensino em língua albanesa e a uma polícia própria.
Para
fazer frente ao ELK (Exército de Libertação de Kosovo), o então presidente
iugoslavo Slobodan Milosevic, contra-atacou com violência a região de Kosovo.
Alegando combater os separatistas e defender a integridade do país, promoveu um
massacre à população civil. Em 1999, a OTAN negociou com a Iugoslávia o fim do
conflito e a volta da autonomia de Kosovo. Diante da recusa iugoslava, as
forças da OTAN lançaram um intenso ataque ao país. A guerra de Kosovo terminou
após 78 dias de bombardeios liderados pelos EUA. Essa ação, classificada pelo
governo norte-americano de “defesa humanitário”, não foi decidida no âmbito do
conselho de segurança da ONU, constituindo, portanto, um desrespeito às normas
internacionais.
Num
sinal claro de que a solução para os problemas étnicos era bastante complexa, o
Parlamento da Iugoslávia, com o acompanhamento da União Européia, aprovou, em
fevereiro de 2003, a constituição do novo Estado da Sérvia e Montenegro. Nesse
novo Estado, a diplomacia e a segurança são conjuntas, mas tanto Sérvia como
Montenegro têm grande autonomia, a ponto de cada uma ter o seu Banco Central.
Sob pressão de Montenegro, que queria a independência total, ficou acertado que
cada república realizaria, em 2006, um referendo para decidir se continuam
unidas. Após os resultados os dois países se separaram.
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