domingo, 3 de junho de 2012


POPULAÇÃO
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Item: Conflitos Étnico-nacionalistas e Separatistas

Parte: 3 de 7
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            2 - A Questão Basca... O povo basco habita o norte da Espanha e o sul da França há mais de seis mil anos e forma um conjunto de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Trata-se de um povo que preserva sua identidade e que tem língua (Euskera) e cultura própria.

O conflito surgiu no fim do século XV e início do XVI com a unificação do reino espanhol. O povo basco resistiu ao longo dos séculos à diversos tipos de invasões, até mesmo dos romanos; hoje sua luta continua sendo a busca por manter sua identidade cultural.
            Durante a ditadura do General Franco (1939 – 1975), surgiu em 1959 o grupo separatista ETA (Euskadi Ta Azkatasuna, que significa “Pátria Basca e Liberdade”); inicialmente era um movimento político, de cunho socialista, originário da união de grupos partidários. No entanto, havia um clima de descontentamento no País Vasco (na Espanha, Basco é escrito e fonado como Vasco).
“Desde a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e do bombardeio à cidade de Guernica pelos nazistas alemães como represália ao apoio do povo basco aos republicanos, então aliados dos anarquistas e socialistas e, a proibição do vasconço em todo o território basco pelo general Franco, o sentimento nacionalista basco foi se tornando cada vez mais forte. Estes fatos, também contribuíram para que o ETA decidisse pela luta armada e tivessem o apoio da população.”


Terminada ditadura de Franco, os bascos passaram a desfrutar de relativa autonomia naquele país, chegando a possuir um sistema de impostos, parlamento e polícia próprios.
            No entanto apesar de não contar com o apoio da maioria dos bascos, a organização terrorista, criada durante a ditadura de Franco, realizou atentados, desde o final dos anos 1970, com o objetivo de pressionar o governo espanhol a reconhecer a independência total do País Basco. No fragmento abaixo vemos a situação atual do ETA.
Atualmente o Partido Nacionalista Basco (PNV) tenta um acordo com o governo espanhol para a realização até o final de 2008, em caráter consultivo e, até 2010 de forma definitiva, de dois plebiscitos onde o povo basco decidirá sobre o tipo de governo a ser adotado e sobre a relação política entre o País Basco e a Espanha. No entanto, o primeiro – ministro espanhol, José Luis Zapatero, rejeita o plano Ibarretxe, como é chamado o plano lançado pelo PNV. Até lá as expectativas apontam que o ETA deverá decretar mais um cessar fogo como próximo ao plebiscito como manifestação de apoio ao PNV.


            3 - A Questão da Irlanda... O acordo celebrado na Irlanda do Norte pretende por fim a séculos de dominação inglesa e a décadas de terrorismo de guerrilheiros separatistas e de paramilitares protestantes.
            Nas últimas décadas, as ações terroristas do IRA ( Exército Republicano Irlandês), organização "católica", e da Força de Voluntários do Ulster, força paramilitar "protestante" foram responsáveis por dezenas de mortes e representaram o problema externo mais grave enfrentado pelos governantes da Inglaterra.

            A história da Irlanda é totalmente desconhecida no ensino brasileiro, e o conhecimento da história da Inglaterra é superficial, em seus "grandes momentos", como a formação da Monarquia, o absolutismo ou a Revolução Industrial e nunca faz referência ao domínio sobre a Irlanda. Então surge a pergunta: Por que a guerra entre católicos e protestantes? Se na maioria dos países ocidentais existem várias religiões convivendo pacificamente, por que isso não ocorre na Irlanda do Norte?

Origens do Conflito
            Para compreendermos o problema, temos que buscar suas raízes no século XII, quando começou a conquista inglesa do território irlandês e a partir de então podemos perceber que o problema não é religioso, pois nesse período não havia "protestantes". O que estava em jogo era o aumento do poder real, no contexto da crise feudal e do início do processo de formação da Monarquia Nacional. Para Henrique II, a conquista de territórios significava o aumento de seu poder, uma vez que, a nobreza irlandesa tornava-se vassala do rei e consequentemente passava a lhe dever benefícios, tanto em gêneros, como em tributos ou inclusive em homens para a formação de exércitos. Desde 1175 o rei impôs seu poder através da Tratado de Windsor, a partir do qual passaram a valer as leis inglesas para a Irlanda.
            O domínio da Inglaterra retraiu-se durante os séculos XIV e XV, período de crise decorrente da Guerra dos Cem Anos (1337 - 1453) contra a França; e da Guerra das Duas Rosas (1455 - 85), que envolveu praticamente toda a Inglaterra, numa disputa entre as grandes famílias de nobres pelo poder. Após a Guerra das Duas Rosas iniciou-se a Dinastia Tudor, que centralizou o poder e, com Henrique VIII consolidou o absolutismo no país. O governo absolutista na Inglaterra teve como um de seus mais importantes alicerces a Igreja Anglicana, criada pelo próprio rei no contexto da Reforma Protestante, reconhecida pelo Parlamento como Igreja Oficial do Estado através do Ato de Supremacia (1534) Durante a Idade Moderna as igrejas europeias, não só a Anglicana, foram utilizadas como instrumentos de poder, e não só na Inglaterra. A característica marcante do ponto de vista religioso foi à intolerância, praticada por reis e clérigos: Assim como os protestantes eram perseguidos nos países católicos, esses eram perseguidos nos países protestantes, como na Inglaterra a partir de Henrique VIII; foi assim que o conflito com a Irlanda passou a ter feições religiosas.
            A imposição do poder absoluto inglês foi acompanhado da imposição da nova religião. Dessa maneira, a manutenção do catolicismo por parte dos irlandeses tornou-se uma forma de contestar o domínio inglês, além de preservar sua própria cultura.
            A contestação ao domínio inglês representava a luta contra o poder político e religioso já que os dois estavam concentrados nas mãos do rei, principalmente durante o reinado de Elizabeth I, que impôs os Estatutos de Supremacia e Uniformidade, reafirmando a supremacia da Igreja e das leis inglesas sobre a Irlanda.

O século XVII
            Durante o reinado de Jaime I (1603-25), consolidou-se o controle das terras pelos ingleses, em especial na região do Ulster, onde foi instituído um sistema de colonização baseado na pequena propriedade, discriminando-se os irlandeses.
            A situação de exploração e miséria, e de imposições político-religiosas determinou o início de uma grande rebelião em 1641, violentamente reprimida pelas tropas de Oliver Cromwell, líder da Revolução Puritana, fanático calvinista que havia deposto o rei e proclamado a República na Inglaterra, que derrotou completamente a rebelião em 1652, quando então, a maior parte das terras passaram para a mão dos ingleses.
            Até o final do século os irlandeses rebelaram-se outras vezes e foram reprimidos, consolidando-se o poder inglês. Após a derrota de Jaime II em 1690 os irlandeses viveram um período de miséria e de perseguições, responsável pelo desenvolvimento de um maior sentimento nacionalista e católico, uma vez que a repressão inglesa passou a estar associada à religião "protestante".

A independência
            A repressão inglesa e o sentimento nacionalista foram responsáveis pela eclosão de uma Revolução em 1798, dirigida por uma sociedade secreta denominada Irlandeses Unidos.
Em 1829, um movimento nacionalista e popular conquistou alguns direitos políticos e civis para os católicos, que poderiam ocupar a maior parte dos cargos públicos, apesar da manutenção do voto censitário.
            Entre 1847-48 o país foi assolado pela fome (devido à praga na cultura de batata) e por uma epidemia de tifo, responsáveis pela morte de aproximadamente 800.000 pessoas, cerca de 10% da população total do País. Nas décadas seguintes a crise foi responsável pela grande imigração, principalmente para o norte dos EUA.
            Em 1905 foi fundado o Sinn Féin (nós sozinhos) importante movimento nacionalista que se propunha a lutar pela soberania da Irlanda de forma legal e que, com grande apoio popular, elegeu em 1918 a maioria dos deputados irlandeses ao Parlamento Britânico. Fortalecido, o Sinn Féin proclamou unilateralmente a independência da Irlanda, provocando a reação inglesa e de grupos protestantes da região do Ulster (norte). Depois de dois anos de conflitos, em 6 de dezembro de 1921, foi assinado um tratado pelo qual a Irlanda ( com exceção do Ulster) tornou-se um Estado independente, porém considerado ainda como domínio da coroa inglesa, integrando a commonwelth.
            A independência completa foi obtida a partir da Constituição de 1937, quando a Irlanda passou a denominar-se EIRE, desvinculando-se completamente da monarquia britânica; porém essa situação somente foi reconhecida pela Inglaterra em 1949, que concedeu autonomia ao Ulster, que passou a denominar-se Irlanda do Norte.

"IRA"
            Fundado em 1919, o IRA ( Irish Republican Army) passou a utilizar-se da guerrilha como forma de eliminar o domínio inglês e obter a independência da Irlanda, e posteriormente, pretendendo a unificação da Irlanda do Norte ao restante do país. Nas últimas três décadas as ações do IRA e dos grupos paramilitares “protestantes" intensificaram suas ações e foram responsáveis por vários atentados na Irlanda do Norte, principalmente na capital, Belfast.
            A ascensão do Partido Trabalhista ao poder em 1997, a criação do Euro e a "nova ordem mundial" criaram novas condições de negociação política, tendo de um lado a Inglaterra uma nova preocupação, em fortalecer-se dentro da Europa e a própria elite irlandesa católica, preocupada em aproveitar as novas condições de desenvolvimento. A suspensão dos atentados por ambos os lados foi fundamental para que as negociações pudessem existir, criando condições concretas para a pacificação da região.

“IRA: adeus às armas
O Exército Republicano Irlandês (IRA) anunciou formalmente, no dia 28 de julho de 2005, o fim da luta armada contra o domínio britânico na Irlanda do Norte (Ulster). É uma decisão histórica, tomada depois de mais de três décadas de uma intensa - e muitas vezes sangrenta - campanha que o grupo patrocinou em prol da reunificação da ilha da Irlanda. Ela foi fruto de um acordo que vinha sendo costurado há meses entre o governo britânico e Garry Addams, presidente do Sinn Féin (braço político do IRA e partido que mais cresce na Irlanda do Norte).
O anúncio da deposição das armas não significa que o IRA tenha abandonado seus ideais. O Exército Republicano Irlandês afirmou que continuará com a luta em prol da reunificação da Irlanda do Norte (controlada pelos ingleses) com a República da Irlanda. Porém, a estratégia agora será diferente: o IRA pretende fazer uso apenas das vias políticas e democráticas para atingir seus objetivos, deixando de lado as táticas de guerrilha que já provocaram a morte de 1,8 mil pessoas nas três últimas décadas.
A notícia foi bastante festejada pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair, que, como prova de confiança na negociação, determinou a remoção de torres e bases militares britânicas existentes na Irlanda do Norte. No entanto, foi recebida com cautela pelo governo dos Estados Unidos e por líderes do Partido Democrático Unionista, da Irlanda do Norte, um dos principais opositores do IRA.
Eles afirmam que, caso as armas não sejam de fato depostas, esse poderá ser apenas mais um dos inúmeros acordos de paz não cumpridos ao longo dos últimos anos. O IRA, por sua vez, salientou que pretende colocar suas armas fora de uso o mais rápido possível.”

sexta-feira, 25 de maio de 2012


POPULAÇÃO
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Item: Conflitos Étnico-nacionalistas e Separatistas

Parte: 2 de 7
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Principais conflitos étnicos na Europa...
           
            Se observarmos bem, a Europa é a península de uma grande massa continental, a Eurásia, como podemos ver na figura abaixo:

Não há uma divisão física propriamente dita, não há um isolamento geográfico da Europa em relação a Ásia, mas se convencionou usar os Montes Urais como sendo o limite do continente europeu à leste. Assim compreendemos que essa divisão entre Europa e Ásia segue muito mais os aspectos culturais que os aspectos físicos.
            Neste pequeno trecho de terra, pois é o menor continente do mundo, há uma infinidade de conflitos étnicos. No entanto, a história da diversidade e dos conflitos étnicos na região é antiga; são resquícios dos impérios russos, otomano e austro-húngaro, e da decomposição desses dois últimos entre o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX.
             A história dos domínios imperiais que marcaram a Europa sempre denotaram a busca pela supremacia através da força e da abdução e ou imposição cultural. Um continente que sempre teve sua história marcada por sucessivas opressões, e que no último milênio viveu uma estrutura econômica feudal, marcada por recrudescimento intelectual e cultural da civilização europeia; sendo estes fatos o ponto originador dos infindáveis conflitos em solo europeu.

            1 – conflito nos Balcãs (região peninsular localizada no sudeste da Europa, onde estão situadas a Bulgária, Albânia, Grécia, Turquia (trecho europeu), Iugoslávia, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Bósnia-Herzegovina.).

            a – Esfacelamento da Iugoslávia... Até 1991 a Iugoslávia era formada por seis repúblicas distintas, Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Montenegro, e duas regiões autônomas, Kosovo e Vojvodina, pertencentes à Sérvia. A população Iugoslava era composta de diversas nações, com os sérvios, croatas, eslovenos, macedônios, albaneses, húngaros... Com três religiões diferentes, a muçulmana, cristã ortodoxa, e católica romana... existiam cinco idiomas diferentes, sérvia-croata, esloveno, albanês, húngaro, macedônio...
            Toda essa miscelânea étnico-cultural foi mantida junta pelo governo de Jospi Broz (marechal Tito), que manteve o aglomerado com força, carisma, habilidade política e é lógico, aparato militar. Após a morte de Tito, em 1980, e com o esfacelamento da URSS, 1990, o movimento separatista fortaleceu-se. Em junho de 1991, a Eslovênia e a Croácia declararam independência. Após violentos conflitos a Iugoslávia reconhece a autonomia das regiões. A Macedônia segue o mesmo caminho; em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara sua independência, o que deflagra um violento e terrível conflito no Bálcãs, que ficou mundialmente conhecida com Guerra da Bósnia.

“A FRAGMENTAÇÃO DA IUGOSLÁVIA
Manuel Cambeses Júnior*
            No Século XIX surgiu um movimento que buscava a união dos povos eslavos do sul da Europa. O mesmo, conhecido como "Ilirismo", tinha como objetivo integrar em um só Estado às regiões integrantes de dois grandes impérios: o Austro-Húngaro e o Turco. Porém, somente depois de finalizada a Primeira Guerra Mundial é que esta ideia pode tornar-se realidade. Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina, que separaram-se do império Austro-Húngaro, uniram-se à Sérvia e a Montenegro que, até o final do Século XIX formavam parte do império Turco. Sobre estas peças soltas deste emaranhado de culturas oriundas de dois impérios desaparecidos, passou a conformar-se o reino da Iugoslávia.
            A Segunda Guerra Mundial foi devastadora para este país. Em 1941, a Iugoslávia foi invadida pelas tropas nazistas e desmembrada em diversos componentes que passaram a repartir-se entre a Alemanha e suas aliadas Itália e Hungria. Para contraporem-se aos invasores surgiram dois grandes grupos guerrilheiros. O primeiro perseguia o objetivo de libertar a Sérvia e, o segundo, de cunho comunista, buscava a libertação de toda a Iugoslávia. Este grupo esteve liderado pelo Secretário-Geral do Partido Comunista Iugoslavo, Josip Broz, mais conhecido por Tito. Correspondeu a este personagem ser o artífice da libertação de seu povo.
            É importante destacar que a Iugoslávia emergiu da Segunda Guerra Mundial totalmente devastada. Diferentemente dos demais regimes comunistas do leste europeu, produto dos avanços das tropas soviéticas, o iugoslavo impôs-se, basicamente, pela força de suas armas. Isto proporcionou ao governo do Marechal Tito uma liberdade de manobra que não experimentaram os demais regimes comunistas da região. Inevitavelmente isto se traduziu, automaticamente, em um permanente enfrentamento com Moscou.
            Foi no manejo de suas diferenças étnicas que o modelo iugoslavo adquiriu os seus traços mais característicos. Estabeleceram-se cinco repúblicas soberanas (Eslovênia, Croácia, Sérvia, Montenegro e Bósnia-Herzegovina) que aderiram a uma Federação. Mais tarde a Macedônia também adquiriria o caráter de República soberana. Por sua parte, a Sérvia contava dentro de seu território com duas províncias autônomas: Vojvodina e Kosovo. O Poder Legislativo desse Estado Federal estava conformado por um Conselho de Nacionalidades que representava os interesses das seis Repúblicas e das duas províncias autônomas.
            Este mosaico de diversas nacionalidades pode funcionar graças ao carisma e a forte personalidade do Marechal Tito, que atuava como o grande árbitro na miríade de interesses em disputa. Como um moderno rei Salomão ele mantinha o equilíbrio entre as posições em conflito. Sua estratégia consistia em evitar que alguma República ou setor se fortalecesse demasiadamente e adquirisse preponderância que fizesse perigar a estabilidade do conjunto. Em síntese, Tito propiciava um equilíbrio negativo de forças em que nenhuma das repúblicas sobressaísse em relação às demais.
            Após a morte do obstinado Marechal, em 1980, as coisas começaram a marchar de forma atabalhoada sob a liderança coletiva que ele havia desenhado para sucedê-lo. Mesmo aos solavancos, entretanto, a unidade da Federação se mantinha. O colapso do comunismo e a febre nacionalista que contaminou a região, fizeram emergir as profundas contradições que se aninhavam na alma iugoslava. A partir desse momento histórico começaria o processo de esfacelamento do Estado iugoslavo.
            No final dos anos oitenta existia na Iugoslávia duas posições extremas. Uma representada pela Sérvia e a outra pela Eslovênia. Enquanto a Sérvia adentrava em uma autêntica revolução nacionalista, a Eslovênia evidenciava um acelerado processo de democratização.
            Para conseguir manter uma Iugoslávia forte, Tito sempre creu necessário manter a Sérvia débil. Slobodan Milosevich chegou ao poder idealizando uma revanche dos sérvios. Para fortalecer a Sérvia o novo líder nacionalista suprimiu a autonomia das duas províncias autônomas que existiam no interior destas repúblicas: Vojvodina e Kosovo. No primeiro caso isso pouco importou pois a grande maioria de sua população é de origem Sérvia. No Kosovo, ao contrário, a imensa maioria de sua população é de nacionalidade albanesa. A reação em Kosovo frente à supressão de sua autonomia, desencadeou a repressão Sérvia. Isto foi a gota que fez derramar a paciência da Eslovênia frente aos excessos da Sérvia e determinou que, juntamente com a Croácia, se tornassem independentes da Federação Iugoslava. Aí começou o desmembramento do Estado federal que ficaria limitado à Sérvia e Montenegro.
            As Forças Armadas iugoslavas, sob o controle sérvio , tentaram impedir, sem êxito, a secessão da Eslovênia e da Croácia. A partir desse momento a atitude da Sérvia e de Milosevic iriam mudar. Se não era possível manter a Iugoslávia unida, ao menos tentaria integrar a todas as populações sérvias, fora da Sérvia, em uma só unidade. Impôs-se, desta forma, a tese da "Grande Sérvia". Sobre esta base as regiões sérvias da Croácia foram anexadas. Não obstante, quando também a Bósnia se lançou no caminho da secessão, as coisas tornaram-se muito mais difíceis. As populações sérvias, dentro dessa República, encontravam-se disseminadas, em todos os quadrantes do território, convivendo entre comunidades croatas e muçulmanas. A resposta de Milosevic foi muito simples: a aplicação deliberada e sistemática do terror, como via para conseguir a evacuação de espaços geográficos que pudessem ser ocupados pelos sérvios. Começava ali a "limpeza étnica". Em novembro de 1995, frente às pressões da OTAN e a ofensiva militar da Croácia para recuperar os territórios perdidos à Sérvia, firmava-se o Acordo de Dayton que poria fim ao conflito bósnio.
A situação do Kosovo que esgotou a paciência da Eslovênia frente aos sérvios, em 1991, terminou também por esgotar a paciência da OTAN frente à Sérvia, em 1999. Isto forneceu a Milosevic todos os trunfos para que ele possa encerrar os anos noventa, reeditando os piores excessos que tornaram tristemente sangrento este Século XX.”
           
            b – A independência da Bósnia-Herzegóvina... A república iugoslava era a mais heterogênea dos Balcãs: muçulmanos, sérvios e croatas; após terem sua independência reconhecida por países Europeus, pelos EUA e pela ONU, Croatas, muçulmanos, sérvios passaram a disputar fatias do território bósnio. A guerra civil da Bósnia teve início em 1992 e tornou-se acirrada quando o líder sérvio, Radovan Karadzic, contrário à separação, proclamou a formação da República Sérvia da Bósnia-Herzegóvina, não reconhecendo a independência do país. A guerra se estendeu até 1995, apresentando um saldo de mais de 200 mil mortos e 2 milhões de refugiados muçulmanos. Essa guerra foi marcada pelo extermínio (“limpeza étnica”) dos não-sérvios que viviam na ex-república iugoslava, o qual contou com o apoio do então presidente da nova Iugoslávia, Slobodan Milosevic. Em 1995, um acordo de paz selou o fim da guerra na Bósnia.


            c – Kosovo... A partir de 1998, os conflitos passam a desenrolar na região de Kosovo, habitada predominantemente por albenesês (90%) e que desde 1989, tinha perdido parte da autonomia em relação ao poder central Iugoslavo, como o direito ao ensino em língua albanesa e a uma polícia própria.


            Para fazer frente ao ELK (Exército de Libertação de Kosovo), o então presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, contra-atacou com violência a região de Kosovo. Alegando combater os separatistas e defender a integridade do país, promoveu um massacre à população civil. Em 1999, a OTAN negociou com a Iugoslávia o fim do conflito e a volta da autonomia de Kosovo. Diante da recusa iugoslava, as forças da OTAN lançaram um intenso ataque ao país. A guerra de Kosovo terminou após 78 dias de bombardeios liderados pelos EUA. Essa ação, classificada pelo governo norte-americano de “defesa humanitário”, não foi decidida no âmbito do conselho de segurança da ONU, constituindo, portanto, um desrespeito às normas internacionais.
            Num sinal claro de que a solução para os problemas étnicos era bastante complexa, o Parlamento da Iugoslávia, com o acompanhamento da União Européia, aprovou, em fevereiro de 2003, a constituição do novo Estado da Sérvia e Montenegro. Nesse novo Estado, a diplomacia e a segurança são conjuntas, mas tanto Sérvia como Montenegro têm grande autonomia, a ponto de cada uma ter o seu Banco Central. Sob pressão de Montenegro, que queria a independência total, ficou acertado que cada república realizaria, em 2006, um referendo para decidir se continuam unidas. Após os resultados os dois países se separaram.

terça-feira, 15 de maio de 2012


POPULAÇÃO
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Item: Conflitos Étnico-nacionalistas e Separatistas

Parte: 1 de 7
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Globalização e Fragmentação

            A proposta da globalização é efetuar uma maior integração entre as diferentes localidades do mundo. E inserido nessa nova perspectiva a humanidade vem reagindo de múltiplas formas; dentre estas temos o etnocentrismo. Este está imantado em um livro, um filme, na roupa, modo de falar, na religião, em fim, em todos os aspectos sociais pertinentes a cada cultura. Por exemplo, os filmes norte-americanos são extremamente carregados de um valor cultural tão imponente, que muitos dos costumes norte-americanos acabaram se difundindo pelo mundo, como o jeans e o boné, itens característicos do vestuário norte-americano que se popularizou pelo mundo. Assim podemos identificar etnocentrismo como sendo a busca de um grupo, de cultura uma em comum, fazendo com que a mesma prevaleça sobre as demais, as quais julgam inferiores a deles.
            Mas em contrapartida movimentos locais buscam manter sua individualidade perante a culturalização mundial. Alguns desses movimentos são tão radicais que chegam às raias da violência; são os movimentos extremistas. Todos baseados na falta de respeito para com a cultura e com o outro.
            Há de se fazer uma distinção entre conceitos básicos para nosso entendimento:
Estado: é a unidade territorial personificada nas forças armadas, poder executivo, legislativo e judiciário;
Nação: é o conjunto cultural e de valores de um povo.
Estado-nação: é a conjugação dos dois aspectos anteriores. É onde um povo está “unificado” dentro de padrões políticos territoriais e uma cultura “comum” a todos.
Sendo assim, podemos considerar que existem Estados sem nação e nações sem Estado.

O Fundamentalismo Islâmico...

            O Islamismo é a religião que mais cresce em todo o mundo, concentra-se principalmente pelo oriente médio, norte da África e sudeste asiático. Fundada por Maomé no século VII, baseia-se no Corão ou Alcorão, também chamado Livro de Deus (Kitab Alah). Os seguidores do Islamismo são denominados muçulmanos.
            De acordo com a interpretação que muitos muçulmanos fazem do Corão, aspectos ocidentais como a liberdade de expressão e de religião e a igualdade de direitos entre homens e mulheres são incompatíveis com suas leis. Para os fundamentalistas a sociedade ocidental é uma ameaça para os muçulmanos.
            O aspecto fundamentalista do Islamismo evidenciou-se mais para o mundo após o “11 de setembro”; esse aspecto violento está muito ligado aos atentados terroristas.
            Para nós, ocidentais, fica muito evidente a postura dos governos dos países islâmicos em que se impõem penas de morte características dos tempos idos, como apedrejamento, forca e outros; reprimem com violência os não cumpridores da religião. Também há uma forte repressão sobre a mulher, pois possuem uma cultura altamente machista.
Mas onde estará nosso respeito se não os compreendermos? Se assim não o fizermos estaremos sendo fundamentalistas ao nosso turno.
            O estreitamento de nossos laços com o oriente está principalmente em função do petróleo.

O QUE É O FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO

            O Fundamentalismo abrange vasta gama de posições, desde a que implica uma interpretação literal das injunções corânicas, dos "hadiths" (ditos tradicionais) e da "sunna" (modos e costumes do profeta), mas que são pacíficos, até aqueles que, como Osama bin Laden, propõem diretamente o terror contra o Ocidente.
            Essa posição quer, de certa forma, retornar à "primitiva pureza" do Islã, baseando-se exclusivamente no Alcorão e nos "hadiths", interpretados de maneira literal e limitada. Desejam, do mesmo modo, descartar todos os desdobramentos culturais, filosóficos e artísticos que acompanharam a história da civilização islâmica e seus contatos com vários povos e culturas do mundo.
            Entre os corifeus dessa tendência fundamentalista, menção deve ser feita ao "pai" da Arábia Saudita, Mohammed Ibn Abd Al Wahab, de quem deriva o termo "wahabismo". Os wahabistas têm uma visão bastante juridicista da tradição e apegam-se estritamente às injunções da sharia, a lei islâmica. Combatem todos os aspectos da civilização ocidental, sempre de maneira emotiva e tacanha.
            Os fundamentalistas lutam em geral pela independência política dos países islâmicos e contra a influência ocidental, em favor dos costumes primitivos e da aplicação rigorosa da lei islâmica. Ao mesmo tempo, são, por assim dizer, indiferentes ao rico legado filosófico, artístico e místico do Islã medieval e de suas contribuições para toda a civilização ocidental.
            Nas bordas extremas dessa corrente, ou em seus "porões", grassam grupos minoritários, condenados pela maioria dos muçulmanos, que propõem e praticam o terror para chegar a seus objetivos. Entre eles, destaca-se o grupo de Osama bin Laden, o Al Qaeda (a base), que distorce versículos do Alcorão para legitimar sua ideologia e seu terrorismo.
            Segundo a perspectiva islâmica tradicional, esses movimentos extremistas pervertem os versículos corânicos que tratam da Jihad, que literalmente significa "esforço" e que implica limites precisos. Exclui, por exemplo, a luta por uma causa mundana. Se seu objetivo é a obtenção de riquezas, a glória pessoal ou o ódio contra outro povo, não é Jihad.
            Esses agrupamentos militantes e extremistas têm um vínculo superficial com o Islã, aderem a ele como se adere a uma torcida organizada de futebol, de forma apaixonada e cega. A última coisa que se encontra neles é espiritualidade, que constitui justamente o cerne da mensagem islâmica.
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Mateus Soares de Azevedo é mestre em História das Religiões pela USP e autor de "Iniciação ao Islã e Sufismo" (Record), "Mística Islâmica" (Vozes) e "Religião e Esoterismo" (no prelo).
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Fonte: O FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO - Texto de Mateus Soares de Azevedo - Site do Jornal "Folha de São Paulo" - 23/09/2001

EUA e Irã

            Nos últimos tempos estamos sendo insuflados de notícias sobre as constantes contendas diplomáticas entre EUA e Irã. Uma contínua insistência norte-americana, por meio da ONU (Organização das Nações Unidas), em fazer inspeções no país mulçumano, a fim de encontrar qualquer coisa que evidencie a construção de bombas atômicas.


            Do outro lado o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, rebate as acusações, afirmando que o enriquecimento de urânio é para fins pacíficos, insistindo que o seu país possui uma agenda de armamento, mas as armas nucleares não fazem parte de sua pauta.
            Acurando geograficamente os fatos, observamos que os Estados Unidos buscam inserir no Oriente Médio uma geopolítica de domínio “político-bélico”, ou seja, tentam ditar suas regras administrativas e políticas, buscando afiliações partidárias e elevando-as ao poder, e assim não sendo, pressionam, alarmando uma invasão de tropas armadas.
            Ahmadinejad trabalha em cima de uma política refratária ao domínio dos Estados Unidos. Suas retaliações recaem principalmente Israel, aliado norte-americano na região. Potencializando assim um estado constante de inconsistência diplomática.
            O interesse norte-americano funda-se em obter domínio sobre as reservas de petróleo no Oriente Médio, mantendo a hegemonia econômica; dominando o Oriente Médio, os norte-americanos terão posicionamento estratégico privilegiado sobre a Europa e a Ásia, destacando China e Índia, sem mencionar no cerco à Coréia do Norte. Expandindo seu “domínio” sobre esses territórios, a influência política norte-america seria quase imbatível.
            A culturalização dos EUA sobre o mundo, com os filmes, séries, modas, linhas de fast food, carregados do idealismo da supremacia norte-americana evidencia o que podemos chamar de neocolonialismo. 

sábado, 12 de maio de 2012

O objetivo das publicações neste blog é de levar ao aluno do Ensino Fundamental que está adentrando ao Ensino Médio, os que já estão no Ensino Médio e os que buscam uma oportunidade nos vestibulares da vida, um local onde eles possam acessar material de qualidade e em linguagem própria as suas necessidades.
Não temos a pretensão de sermos doutos na amplidão da Geografia, mas sim humildes contribuintes a um público que recebe muito pouco em função da pressão e exigência a que são submetidos, os jovens do Ensino Médio.
Ofertaremos: aulas com matérias e exercícios; Exercícios para quem deseja acessar os renomados colégios de ensino médio do Brasil; e questões de vestibulares de todo o brasil, sendo todas comentadas.
Esperamos está sempre logado nas suas necessidades...
As primeira publicações sairão a partir do dia 16/05/2012.
Aguardo a todos!!!!!